O aluguel de um imóvel começa muito antes da assinatura do contrato. Para dificultar a primeira fase desse processo -a procura pelo bem-, a demanda tem sido maior que a oferta no mercado de locação da cidade de São Paulo, segundo especialistas ouvidos pela Folha.
Números do Secovi-SP (sindicato de administradoras e imobiliárias) mostram que os aluguéis na capital subiram 11,4%, em média, de abril de 2009 a abril de 2010.
"Houve visível melhora na renda das pessoas", explica José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP (conselho de corretores). "Há mais gente com chance de procurar uma moradia."
Ele observa que cerca de 60% dos aluguéis na capital são os de até R$ 800, segundo pesquisa do Creci-SP referente ao mês de abril. "Faltam imóveis de um e de dois dormitórios", afirma.
"Em geral, quando há um inquilino saindo, não há possibilidade de o imóvel ficar uma semana vazio, seja ele de que categoria for."
O publicitário Moises Felippe Bertges, 24, conta ter passado dois meses procurando um apartamento para alugar depois de sair de uma quitinete na República (centro), em que pagava uma mensalidade de R$ 980.
Além de ter se assustado com os preços, Bertges diz que as exigências de garantia impediram que ele fechasse negócio. "Não tenho fiador e eles [da imobiliária] pediam vários aluguéis adiantados, um dinheiro que não tenho."
O publicitário se refere ao depósito-caução de três mensalidades, uma das modalidades de garantia previstas pela lei. Agora ele quer partir para a compra de uma casa. "Prefiro pagar as prestações de um financiamento, mas o problema vai ser a entrada."
ETAPAS
Quem quer de fato alugar e não financiar a casa própria (leia análise comparativa abaixo) precisa, em primeiro lugar, escolher a região em que quer morar.
Outras decisões importantes vêm em seguida: achar um imóvel com documentação e manutenção em dia, providenciar a garantia pedida pelo locador ou pela imobiliária, conferir quais são os deveres do locatário e quais as obrigações do locador.
Valorização do bairro define se aluguel é mais vantajoso
Arredores do metrô concentram demanda
Preços em alta e falta de oferta são os grandes empecilhos para quem procura um imóvel para alugar na cidade de São Paulo.
Essas condições são verificadas em regiões periféricas -caso de distritos da zona leste-, mas marcam sobretudo o mercado de locação de áreas centrais da cidade.
"Pela mobilidade que oferecem", diz Cicero Yagi, consultor imobiliário e responsável pelas pesquisas do Secovi-SP (sindicato do setor).
"É a principal variável de decisão", afirma. E é por essa razão que "as maiores altas se concentram no eixo do metrô, como no trecho entre as estações Ana Rosa e Jabaquara [zona sul]", cita.
Um exemplo de distrito valorizado é o de Pinheiros (zona oeste). A demanda perto da rua Teodoro Sampaio é de "jovens estudantes ou executivos solteiros na faixa de 25 anos", define a corretora Graça Araújo, que atua no local.
Eles alugam apartamentos de um quarto, 30 m2 e três anos de idade por valores de R$ 1.100 a R$ 1.300, mais R$ 350 de condomínio e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), afirma a corretora.
Em Moema (zona sul), outra região valorizada (confira no quadro preços médios por metro quadrado), a administradora de empresas Ana Cecília Amorim, 27, avalia que teve sorte ao alugar um apartamento de 120 m2 "em andar alto" por R$ 2.200 mensais: "Foi um achado".
Recém-casada, ela diz ter desistido da compra de um imóvel. "Os preços estão inviáveis onde queremos morar -Moema, Vila Olímpia [zona oeste] e Itaim [idem]. No imóvel que alugamos, é preciso arrumar algumas coisinhas, mas vamos abater os gastos das mensalidades."
O centro ainda é uma opção para quem quer alugar, em bairros como Santa Cecília, Campos Elíseos, Liberdade e República, onde boa parte dos imóveis se destina à locação, caracteriza Yagi. |